"Dupla Obsessão": uma morte pode mudar tudo
Bem... o pó que assentou nesta página. Há imenso tempo que não publico nada por cá, eu sei. Aconteceram várias coisas, não vou mentir. Coisas que não posso, nem pretendo, partilhar aqui. O corpo relaxou um pouco, bamboleou contra tudo e todos e cá estou :)
Indo ao encontro do que o post de hoje veio trazer, tenho sentido que com toda a efervescência de que o blog se fez acompanhar nas primeiras crónicas, nunca pensei exatamente numa finalidade para si. Ou melhor, até pensei. Seria apenas algo relacionado com Overblood e o seu futuro na trama, ao que deduzi que não fosse chegar para preencher bem o blog.
Porém, eis que surgiu uma ideia há que tempos à espera de ser libertada:
"Porque não fazer reviews de filmes, séries e livros?"
Para além do mais, sou um book reader agora, algo inédito na minha vida.
Posta esta decisão automaticamente tomada, deixo-vos com a minha primeira review sem spoilers ligada ao mundo do cinema, mais especificamente a um filme de drama e thriller que estreou cá a 1 de maio deste ano:
Mother's Instinct - Dupla Obsessão
Dá-se um salto quase centenário para trás das costas do calendário. No plano principal, duas famílias tradicionais residem uma ao lado da outra no agradável vislumbre das suas vidas pessoais, familiares e conjugais. Ligando-as por um fio de delicadeza e suavidade, Alice e Celine cultivam uma bonita amizade, através da qual se apoiam quando mais ninguém consegue, assim como um grande carinho e empatia pelos seus filhos.
É-nos apresentado ao longo de vários minutos um ligeiro paralelismo na forma como as duas donas de casa caminham perante as forças do Destino, ainda que cada seguimento contenha diferenças mínimas em cada setor, paralelismo esse que se rompe com a morte trágica do filho de Celine.
O luto instaura-se ao redor desta e no seu interior, decifrável pelo novo vestuário e comportamentos pessoal e interpessoal. Por outro lado, Alice reserva-se para os vários momentos de culpa pelo sucedido, alguns deles também vivenciados com o marido por perto. A ausência da amiga, combinada com pequenas situações emergentes, transformam a vontade de chegar ao seu coração numa necessidade visceral de declarar a própria inocência e proteger a família de um caos mais sensível que visível.
A exposição dos planos de ambas as personagens no filme, em alturas visivelmente oportunas, constam num labirinto emocional e racional poderosíssimo para o espetador, dificultando ainda mais a sua capacidade de desvendar uma verdadeira realidade, tal como ocorreu com a própria Alice.
Capaz de puxar a atenção de quem vê, mesmo nos minutos mais leves, "Mother's Instinct" foi conduzido por Jessica Chastain e Anne Hathaway na perfeição, tanto na direção da longa-metragem como nos papéis principais. Ainda que a reviravolta não constitua uma notória surpresa, guia todo o enredo para um desfecho relativamente surpreendente e chocante.
Nota: 4/5*
Boa semana!
Silver


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