Especial: Dia Internacional da Mulher
A 8 de março, celebra-se todos os anos um pouco pelo Mundo o dia que, até hoje, demarca a ainda existente e perpetuada diferença entre os sexos masculino e feminino. Instaurado com base em eventos ligados à luta socialista patente no início do século XX, o originalmente conhecido como o "Dia Internacional da Mulher Trabalhadora" diz respeito, não só a todas as mulheres, trabalhadoras ou não, mas sim a todos nós. E se não diz, deveria. Mas porquê?
Somos pessoas. Nascemos do amor, ou apenas do cruzamento, biologicamente falando, entre um homem e uma mulher, que por sua vez surgiram da mesma maneira. Crescemos num meio onde as diferenças existem, seja entre sexos, entre etnias, entre orientações sexuais e até entre valores de peso, mas que não deveriam causar afetação. O nosso desenvolvimento, aos nossos olhos, não possui falhas: as qualidades de que não nos fazemos acompanhar não estavam destinadas para nós. Vistos de fora, a precariedade em nós no que é essencial para os outros parece ser superior a qualquer ponto positivo. É uma realidade que custa a qualquer um, por todos os desfechos que pode desencadear: desvalorização externa, (e interna, como consequência,) desigualdades económicas, desequilíbrios sociais, discursos de ódio, xenofobia, racismo... e o sexismo. Principalmente de homens para mulheres.
Quantas vezes ouvimos um colega, conhecido ou até um amigo nosso, no meio de uma conversa, afirmar que a luta feminista já não faz sentido? Que todas as mulheres já têm os direitos que tanto queriam? Parece uma ofensa, não é? Vermos uma causa que nos é alheia a querer impor-se, depois de uma carga histórica extensa e dura, capaz de rasgar o fim do pergaminho. Chega a soar ridículo, de vez em quando.
O padrão é, sempre foi e sempre será muito mais confortável do que a mudança. Enquanto isso não nos fizer mossa, não há motivo para se ser diferente. E ao pensarmos assim, anulamos o facto de sermos oito biliões de pessoas no mundo, sendo que boa parte delas são mulheres, onde dentro desse grande grupo, uma percentagem igualmente grande representa todas as que, até hoje, não são emancipadas pela cultura de um país, ou pela mão/voz erguida de um esposo, pai, filho, chefe e/ou ditador.
Todos os anos, milhares sofrem e chegam a morrer na companhia de um amor que, até ao leito de morte, lhes entrega muitas sobras puras por se transformar em cinzas. Todos os anos, várias mães sofrem pelo desgosto que os filhos, motivados pelos pais, lhes causam sem dó nem piedade, às custas de uma fragilidade que eles sempre trouxeram a cabo consigo, e que de forma nojenta os identifica como pessoas. Todos os anos, milhares de colaboradoras sofrem pelo sufoco da areia movediça, pela dificuldade crescente de se subir ou poder ser visivelmente melhor onde se trabalha, apenas porque um homem, chefe ou não, se sente na humilhação de ser derrotado por alguém que lhe é "inferior".
E por isso, todos os anos, todas essas e outras mulheres, ao lado de quem seja digno de representar o verdadeiro feminismo, continuarão a celebrar esta data com toda a força e garra, contra quem as quiser calar uma e outra vez.
Até um dia deixar de ser necessário celebrar o 8 de Março.
Boa semana!
Silver
.png)


Uma crônica poderosa que nos lembra da importância de reconhecer e valorizar as mulheres em todos os âmbitos da vida ❤️
ResponderEliminarNão se nasce mulher, torna-se.
ResponderEliminarEsse citação da Filósofa Simone de Beauvoir marcou muito minha mente, pois ela mostra como a sociedade é, e como a mesma constrói as mulheres, esse dia devemos agradecer por termos as mulheres em nossas vidas, suas batalhas travadas contra o machismo e o patriarcado que oprimi e desvaloriza elas, suas lutas não seram esquecidas nem menosprezadas. !!!
VIVA AO DIA 8 DE MARÇO DIA INTERNACIONAL DA MULHER TRABALHADORA !!!