Revistas cor-de-rosa
Boas-vindas, caríssimos lingos, a mais uma Crónica da Coroa!
Bom, todos nós adoramos uma fofoca de vez em quando, não é? E dependendo da área social da nossa vida com que está relacionada (trabalho, família, amigos, vizinhos...), pode tornar-se ainda mais satisfatório do que o normal.
Eu sei do que falo. Costumo ser apologista da paz de dia e caçador de revelações de noite. Julguem-me À vontade, mas só se não forem mesmo fãs deste género de arte. Para quem faz o mesmo que eu, calem-se e cheguem aqui. Nem sabem o que eu descobri.
Porém, não são só os comuns mortais que perdem tempo nesta palhaçada com sessões infinitas. Os trabalhadores ativos também. Aliás, existe uma secção específica deles que investe arduamente neste processo, trazendo por escrito até nós o chá da semana que só as figuras públicas nos conseguem fornecer.
Senhoras e senhores, soltem as revistas cor-de-rosa!
(que no final de contas são o conceito ideológico e hiperbólico das câmaras de vigilância de Hollywood)
Para os lingos que acompanham o blog fora de Portugal, devo dizer-vos que estas meninas são o furor sensacional da plebe lusitana, principalmente da malta com idades dos cinquenta para cima, uma caixa TDT em casa e disponibilidade, tanto para ir ao cabeleireiro entre a manhã e a tarde, como para sentar as gelatinas (ou os ferros brancos) na poltrona da sala de estar a partir das nove e meia da noite.
Este tipo de impressão em série corre quase todos os tipos de lojas, incluindo os supermercados, e traz em primeira mão todos os segredos, pormenores e primos dos pormenores sobre os maiores espalhafatos (ou coscuvilhices, no geral,) das celebridades, no país e no Mundo.
Quase me senti o Rodrigo Guedes de Carvalho agora.
No meio de tanta variedade de conteúdo impresso à venda nas montras, só um bom olho consegue identificar uma revista cor-de-rosa como tal, através das seguintes características:
- Títulos com tamanhos enormes na primeira página;
- Imagens de famosos;
- Pequenos blocos com espreitadelas de outros assuntos.
Os temas, quase que por norma, costumam ser um tanto quanto pessoais e até tensos para quem os vivencia. Quanto aos pormenores, o suficiente é pouco e o muito é muito pouco.
Através destes tabloides, existe a prática de um certo voyeurismo, se formos a reparar. Quem os consome, consome também a sensação de proximidade com este grupo social e profissional que nos é popularmente distante e apetecível.
Eis que, servidas as informações na mesa, muitos se devem estar a questionar:
"Existe algum problema em gostar de adquirir revistas cor-de-rosa?"
Para a atualidade, penso que não. Assim como existe uma linha que separa o Expresso da TV 7 Dias, por exemplo, a mesma também se aplica para outros conceitos, como jogos de boa e má qualidade, e livros que são masterpieces com outros que são mais "poorpieces". E por mais que certas pessoas possam achar que isso define os nossos níveis de inteligência, maturidade e etc., devo dizer que discordo ainda mais disso. Eu próprio já consumi muitas revistas cor-de-rosa, principalmente na minha infância, por ser um grande fã de novelas, e isso não fez de mim menos inteligente do que sempre fui (e sou, tecnicamente).
No entanto, é importante relembrar que, enquanto uma maçã de boa qualidade não nos deve fazer mal, uma com condições opostas não costuma trazer os mesmos resultados. Ou seja, enquanto temos certos tipos de conteúdo rico em informação pertinente, estrutura e desenvolvimento cognitivo, não deixam de existir os produtos de venda fácil e atraente, cujos detalhes e pormenores "picantes" neles implícitos podem ser, muitas das vezes, fruto de uma irrealidade mais chamativa e atrativa no mercado.
Boa semana!
Silver



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