Adolescências

Boas-vindas, caríssimos lingos, a mais uma Crónica da Coroa!

O tema de hoje fala sobre adolescências. E porquê no plural? Porque a máquina do tempo já tem saudades de se ligar, e não há nada melhor do que viajar pela épocas das últimas badaladas até à chegada da vida adulta.

Bate aquela saudade de sermos dependentes, tanto no IRS como na vida.

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades." E neste caso em particular, é inevitável que o aconteça.
  • Música
Se formos em busca dos gostos acústicos dos nossos pais, numa altura onde as suas desilusões amorosas estavam apenas a começar, podemos notar uma certa diversidade. Quem se lembra do furor que foi as Spice Girls, o Michael Jackson, a Britney Spears,

#freebritney (ah ela agora já está livre, tanto do pai como da indústria, esqueci-me)

os Backstreet Boys ou até os Queen?

OS QUEEN CAR&$#O!

Assim como estes, tantos outros artistas e bandas marcaram uma geração onde o pop americano começou a reinar, (através do rei, Michael,) lado a lado com uma reduzida gama de artistas portugueses do interesse do público de cá.
No entanto, vinte a trinta anos depois, pessoas como eu podem dizer que os maiores ídolos da nossa adolescência estão a ser a Billie Eilish, o Travis Scott, o Bruno Mars, a Ariana Grande, a Lady Gaga, o Ed Sheeran, os BTS, as Blackpink, o Diogo Piçarra, a Carolina Deslandes, a Bárbara Bandeira, a Anitta, a Luísa Sonza... Eu poderia ficar cá até à próxima semana, só a comprovar de pergaminho na mão a instauração cultural que se deu na música.
Porém, também se deve reforçar o facto de que, hoje em dia, parece que qualquer pessoa pode ser cantor ou cantora, desde que tenha uma voz que não seja esganada ou estridente. E isto deve-se ao quê? Redes sociais e a acessibilidade que trazem.

Se quiserem até posso falar disto noutra crónica. Comentem aqui em baixo se querem!
  • Roupa
Vamos lá olhar para trás novamente. O que é que vemos? Ah pois é, calças de ganga, t-shirt's de cores sólidas, ténis casuais, um casaquinho de cabedal algures, botas, camisas de sarja, etc..

Até podia falar de moda capilar, mas já há uma crónica sobre isso ;)

Bom, passaram-se duas a três décadas e já vimos as skinny jeans, o retorno dos boca-de-sino, as sweatshirts, os vestidos justos, os conjuntos "Tumblr" (já ouviram falar), formalidades, informalidades... ou seja, para além da introdução da ideia exclusiva do género na moda, ainda que um pouco discutível, deu-se um boom na liberdade de se vestir. As mulheres não usam mais obrigatoriamente um estilo com propósitos de sensualidade ou atração feminina, assim como os homens não encarnam mais uma posição imperial com a roupa (se bem que nos anos 90 isso também não aconteceu, mas idem).
  • Questões sociais
Onde é que, no tempo dos nossos pais, se ouviu falar em temas como o racismo, a discriminação pelo tipo de corpo, a orientação sexual ou até a igualdade de género?
Temas redondantes aos que mencionei eram considerados um tabu. O preto continuava a ser julgado e menosprezado pela sua cor de pele. A mulher era vista como o pertence do homem. Para o maricas ou para a fufa, não havia poupança na fobia e no ataque direto. E para os gordos, só restava sentir-se só, gozado e indesejado.
Mas hoje em dia, o palco é todo deles. Os oversized são a nova força de intervenção na sociedade. O nome queer serve de identificação para a resistência comunitária e poderosa entre homossexuais, bissexuais, transexuais e por aí fora. Pessoas de descendência africana, e/ou africanas por nascença, lutam diariamente por direitos iguais na sociedade. E uma boa parte das mulheres já consegue pisar com um salto alto vermelho metálico, implacável e valente, na testa de qualquer homem que tente passar por cima delas.

Metaforicamente, claro.

E assim como noutras causas que também foram chegando às bocas do povo, as minorias formam atualmente uma maioria em conjunto, que nem a palidez do grupo-modelo se consegue comparar com o espetro multicolor que é libertado na sua direção.


  • Saúde mental
Se me vissem a sair de uma consulta com a minha psicoterapeuta há vinte ou trinta anos atrás, provavelmente iria indignar a pouca sabedoria de muita gente. E isto porquê? Porque quem comparecesse a um psicólogo só o poderia fazer se fosse maluco da cabeça, no mínimo. E assim, para todas as pessoas, de todas as idades, em que sempre se viu algo que não estava certo, o diagnóstico passava por desculpas absurdas e o tratamento poderia envolver pancadas de educação.
Agora, a coisa é diferente. Por mais adultos que tenhamos a questioná-la, a Psicologia ganhou poder, e voz! Diagnósticos como a depressão, bipolaridade, esquizofrenia, síndrome de Estocolmo, anorexia e tantos outros têm as suas informações cada vez mais normalizadas e acessíveis, no âmbito de dar um tratamento imediato, a surgir atempadamente.
  • Smartphones e entretenimento
Quando penso nas tecnologias e lazer de antigamente, lembro-me da paixão que a minha mãe sempre teve pelos Tamagotchi. Lembro-me também dos telemóveis com teclas, das televisões de caixa,

que para mim não têm outro nome,

e dos Gameboy.
Bom, hoje em dia, até a PS5 já foi lançada. Ainda que as cartas Uno, o xadrez e os outros jogos de mesa não tenham desaparecido de vez, com várias edições novas todos os anos, o entretenimento tornou-se maioritariamente tecnológico(, a ponto de estes já existirem de forma digital). Os telemóveis já possuem ecrãs quase infinitos onde o utilizador pode interagir diretamente, apenas com o toque dos dedos, assumindo a interface de um conjunto de pequenos sistemas, como fotografia, caixa de correio eletrónica, mensagens, chamadas, MP4, navegação via Internet e até jogos. Noções como realidade virtual e realidade aumentada existem e já têm métodos de interação.
  • Filmes
Para terminar, falemos no cinema. Titanic, Pulp Fiction, Kill-Bill, Star Wars, Star Trek, O Exorcista e outros quantos foram de certeza parte de uma infância marcante e em desenvolvimento, diante dos olhos dos nossos pais.
Para nós, isso está definitivamente no passado. Velocidade Furiosa, reboots de personagens de videojogos, como o Super Mario e Sonic the Hedgehog, Annabelle, Gru O Maldisposto, Mínimos, Trolls,

OK, estou a ir muito pela gama infantil, desculpem.

super heróis, como o Batman, o (falecido ;-;) Homem de Ferro e o Thor, The Conjuring e After preencheram(, e ainda preenchem,) os nossos corações em delírio e vontade por consumir conteúdo audiovisual.

Bem, que viagem! Soube bem recordar o tempo dos meus pais e comparar com o meu.

"Mas não és tu que estás a reviver o nosso tempo!"

Está bem, vou-me embora.


Boa semana!

Silver

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