Gravidez
Boas-vindas, caríssimos lingos, a mais uma Crónica da Coroa!
Hoje irei expor a realidade da gravidez, desde o momento em que se dá a boa nova no ventre delas até que o puto (ou miúda, MI-Ú-DA, vamos com calma) a obrigue a parir. Ou não.
Não a minha, logicamente, porque não posso,
nem quero,
mas a de todas as mães e mulheres que vivenciaram, ou ainda vão na metade da maratona, na primeira ou terceira pessoa, o turbilhão mágico de episódios da novela que está a apaixonar todas as famílias pelo mundo inteiro, nas encostas da fertilidade, nas ruínas "historico-vaginais", nos corações carregados de paixão e ausentes de contraceção:
La
Viva
Obesidad
(-dad, -dad, -dad, -dad...)
Episódio 1
A noite era fria. O vento leve assolava os entrefolhos das oliveiras nos terrenos ligeiramente áridos de La Bella Mansión, a casa onde Emeralda e Javier se amavam profundamente entre os lençóis caros e frágeis de sua cama,
e literalmente inapropriados à estação, pois estava-se no auge do inverno. Despeçam a p$*a da empregada que fez essa cama, sff.
diante de um flamejante, ardente e INTENSO aquecedor a óleo, também caríssimo, situado junto aos pés da cama, não se comparando à calorosa paixão que sentiam um pelo outro.
"Vamos a isto, minha querida?"
"Vamos, meu amor", disse Emeralda, confiante. Mas assim que sentiu o perigo à porta,
literalmente,
perguntou: "Javier, não achas melhor vestir-lhe o casaquinho?".
Este absorveu a sua imagem doce e delicada... e cagou-se a rir que nem um cavalo perdido durante vinte segundos,
porque fumava desde os 16, sendo que já iam 15 até àquela noite, então para a fulana, ir de núpcias com o tipo ou com uma chaleira de 1900 e troca o passo era a mesma coisa,
dizendo-lhe no final, já com as lágrimas nos olhos(, e uma pré-crise de falta de ar): "Não te preocupes, ele nunca passa frio."
Só que ela não estava nem aí para frio. O problema era com as manchas e a sujidade. Mas já era tarde para se pensar no assunto. Já nem ela queria saber da porcaria do casaco, então deixou.
Enfim, umas semanas mais tarde, depois de estranhar as suas correrias repentinas para as luxuosas sanitas da Mansión, achou por bem averiguar o seu estado de saúde e fez um teste de viva obesidad, criado por Luzia, uma velha curandeira.
E ex-prostituta na reta de Coina. Ainda se lembra de todas as vezes que a chamavam no meio das vegetações, dizendo "Anda, Luzia!". Desculpem, piadas secas, sem piada nem secura.
Acontece que, no final de contas, o resultado foi: ya te j&#iste.
Episódio 2
Já lá ia pouco mais de um mês. Emeralda e Javier prosseguiam na sua vida a dois, radiantes e esperançosos,
ela ainda um bocado lixada por causa da história do casaco e do riso com catarro,
em direção ao consultório do médico da família dela, o Dr. Roberto-Nuel.
No meio de tantos exames e análises,
que mais depressa se assemelhavam a um monte de papelada qualquer das Finanças por causa de imigrantes do que a um processo clínico,
já Emeralda trazia consigo um rolo de sacos descartáveis transparentes com corações vermelhos, para o caso de precisar de vomitar e não ter onde o fazer. O médico desejou a ambos muitas felicidades, jurando um acompanhamento contínuo e fiel da sua parte, se o casal concordasse.
Assim que entraram em casa, a Madre Aurora já os esperava na sala. A sua postura, que de anormal não tinha nada, caiu de forma tão ácida no estômago da filha que esta teve que ir a correr novamente para gregar.
"Madre de Diós, coitada! Não ficava assim desde que os One Direction se separaram."
"A sério?... Espere, o que é que disse?"
Episódio 3
Na dificuldade de vestir as suas roupas de sempre sem se notar a barriguinha e o tamanho dos seios, Emeralda viu-se entre a espada e a parede... com a chegada dos seus primeiros desejos nutricionais mais estranhos: sandes com fiambre e chocolate, copos inteiros de vinagre ou fatias de salame bastante açucaradas com queijo Philadelphia barrado por cima eram alguns exemplos, e ainda só se está a ir ao que é comestível!
Já as empregadas ficavam em desespero, de um lado para o outro, a ligar para Javier em relatos demasiado pormenorizados. Todos os dias.
"Mas é muito grave, Assunción?"
"Doutor, ela até já andou à procura de paredes com a tinta a descascar!"
Episódio 4
Depois de descobrir que um Javierzito se preparava para chegar dali a uns meses, o rico esposo, motivado pelo orgulho de ter mandado o casaco à fava, foi ao paraíso e ofereceu à sua amada um...a bicicleta de ginástica. Para controlar as questões da comida.
E incitar o puto à arte de se ser um gabarolas com músculos e um bucinho virgem, aparado depois das questões da puberdade.
No entanto, tal era o crescimento do bebé que Emeralda, coitada, parava mais para descansar do que propriamente exercitava.
Episódio 5
Dá-se uma segunda visita ao consultório do Dr. Roberto-Nuel onde,
com este a disfarçar a sua "admiração" perante a grande quantidade de leite materno produzido e conservado educadamente por Emeralda,
se realizaram mais algumas inspeções para saber se estava tudo bem lá dentro. Aparte dos quilinhos a mais e do umbigo um pouco mais visível cá fora, o doutor certificou os pais, ao apresentar os resultados, que Javierzito estava muito saudável e em boas condições.
À chegada da Mansión, Javier encaminhou a esposa para o quarto, enquanto se apercebia da acumulação de responsabilidades para as costas da criadagem nos seus suores infernais, quase a ir para as quebras de tensão. Agora, não só a grávida comia demais como até se podia lembrar, por exemplo, de urinar em todas as casas de banho da casa, esquecendo-se de baixar o autoclismo em TODAS.
Episódio 6
Cansado de tanta atribulação, com olheiras até ao queixo e obrigado a trabalhar para a empresa em home office, Javier quase que se via tentado a pedir uma farda emprestada à Assunción ou a outra empregada, para sentir a normalidade da multiplicação das mesmas dores de cabeça que elas sentiam a vir na sua direção, tudo isto porque Emeralda lembrou-se,
no meio de 374 coisas que deveria fazer diariamente mesmo sem estar grávida e que está simplesmente a deixá-las passarem-lhe ao lado, tipo "caguei",
de "cobrar atenção", por tudo e por nada, porque sim e porque não, porque existe e porque não existe. Mas Javier, no meio de tanta fragilidade embutida pelo seu próprio sexo, tem um grande coração. E ama muito aquela mulher, de qualquer forma, não desejando ter mais alguma para a substituir, assim como valoriza imenso todas as pessoas que trabalham para si e para a sua família, incluindo até a própria família que o deixou fazer a sua vida lá com a esposa, sem nunca lhe cobrar nada.
Episódio 7
Com o peso crescente da cria, Emeralda decide precaver-se com o Dr. Roberto-Nuel, no receio de ir desprevenida para o parto. Este, completamente doutorado em obstetrícia, e por ser o médico da sua família há muitos anos, achou por bem que deveria estar presente na hora em que a criança nascer, enquanto a mulher só pensava:
"Hijo de p$&a, yo te mato se desmaiares ao ver o Javierzito sair de mim!"
Episódio 8
"PERO ESTA M#*$DA NO SE TERMINA NUNCA?!"
Sim, Emeralda sempre disse muitos palavrões. Sai ao falecido pai :')
Episódio 9
"AAAAAAAAAAHHHHHHH!"
Nasceu o Javierzito. A tossir poeira de tinta branca uma vez ou outra no meio de um choro insuportável, mas aliviante.
El Fin.
E foi isto, meus lingos.
Vamos a ver: logicamente, criei um cenário hiperbólico para descrever nove meses de uma gravidez, cenário esse onde não pretendi ofender nem ferir as suscetibilidades de ninguém. Tudo o que faço no CdC é, e sempre será, em prol da comédia (e também da informação).
Tem o seu fundo de verdade, porque se forem pesquisar, ou até mesmo falar com mães ou (ex-)mulheres grávidas, sobre desejos inusitados à hora de comer, mudanças de humor, cansaço, tonturas, enjoos, emoções à flor da pele, e outras coisas mais, muito provavelmente irão ver que grande parte do que aqui foi dito não é tão exagerado assim.
Se bem que... até há uma coisita a mais que pode ficar exagerada nesta situação.
Contem aqui em baixo nos comentários o acontecimento mais estranho sentido numa experiência de gravidez que seja do vosso conhecimento. Vou adorar receber os vossos relatos ;)
Boa semana!
Silver


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