"Boa para guardar livros. Ou 75.800€."
Ui, o circo que ainda está montado à volta desta fofoca.
Boas-vindas, caríssimos lingos, a mais uma Crónica da Coroa!
Prontos, hoje a história é mais descontraída. Bem mais, diga-se passagem. E porquê? Porque o impensável aconteceu. Não que fosse algo absurdo, mas sim IMPENSÁVEL.
Ora pois bem, pelo título, já sabem o que vem aí. A mais recente polémica com uma publicidade da marca IKEA a promover uma estante que, segundo a própria, é "Boa para guardar livros. Ou 75.800€", está a causar o furor nas redes sociais e noticiários, o que, assim de repente, das duas uma: ou enaltece o leque de vantagens que pode trazer com a sua aquisição, (com o fundo verde a servir de auxílio,) ou estampa-se-lhe um escândalo na parte da frente de tal forma que nem queimada pelo incêndio de Pedrógão Grande deixará de ter essa reputação.
Giro, não é? Eu pessoalmente gostei, não vou mentir.
Da estante, calma. O foguinho também é bom de se ter por perto, mas não deixa de nos queimar.
Mas agora ficam as perguntas:
"Porquê 75.800€? Qual foi o motivo para se escolher um valor tão específico para este caso?"
Está a ser difícil escrever esta crónica, do tanto que eu já me ri à pala disto.
é o número de euros que Vítor Escária, ex-chefe de gabinete de António Costa, tinha em envelopes dentro de uma estante e uma caixa de vinho, dinheiro esse não declarado ao Estado, que foram encontrados nas buscas da "Operação Influencer"(, fora a questão dos três empréstimos já pedidos à Caixa Geral de Depósitos).
Portanto, estão a ver o peso da referência nesta situação. O Peso Pesado até se rói de inveja por não ter uma participante a fazer subir as suas audiências desta forma.
Mas bem, se é de mandar bocas e indiretas humoristicamente faladas que o mundo da publicidade sente falta, nada temam, lingos: o IKEA está cá para ajudar! E sabem porquê? Porque não foi a única campanha que fizeram neste espaço de tempo a rondar a mesma área do parlapier.
Isto é,
Preparem-se, já temos um voluntário (eu) para apresentar com gosto a primeira exibição low cost dedicada à ousadia sueca nos outdoors e painéis luminosos da Tuga.
para além da requintada estante Kallax, à venda atualmente por 55€, estando de acordo com a marca a um preço ainda mais baixo (do que um outro anterior, também na publicidade), seguem na mesma pista o incomparável e revolucionário puxão de tapete à inflação,
Pequeno spoiler: será tema numa futura crónica. De nada.
através da promoção de um tapete de pelo curto Stoense, agora a 79€, assim como também os mais calorosos agentes contra o frio: a sua geringonça, que consiste numa manta verde acinzentada Holmvi a 6€, e um edredão Stjarnbracka,
Sorry, só teclados made in Portugal deste lado.
a 35€, com o pressuposto de fazer aquecer a solo ou em coligação.
"Ai que despautério!"
Sim, tia Lurdes, a gente sabe. Nem todos os dias uma marca vende produtos a atirar à cara da clientela o estado do seu país, seja em que sentido for. Mas lingos, aqui que ninguém nos ouve: isto foi do c$#&lho. Ameaçador? Sim. Intimidante? Sim! Mas original? OBVIAMENTE!
O mais engraçado nisto tudo é sentir que foi preciso chegar um gigante do Norte da Europa, com mobílias, coisas em madeira e tudo o mais, para finalmente nos servirem postas de pescada au chapadoum de qualidade dadas pelos seus vizinhos.
Perceberam? É que eu sim, mas não vou explicar nada.
E se acham que isto ficou por aqui, alerto-vos que ainda só vamos no início da tempestade.
Como se não fosse suficiente os representantes do IKEA virem a público afirmar que nunca houve a intenção de boicotar, intervir ou até desmazelar a situação geral no contexto pré-eleitoral vigente até à atualidade em Portugal, depois de tanto feedback negativo, surgiu uma avalanche que está a chocar, por um lado, e a engraçar, por outro, o público lusitano de Norte a Sul do país: a Staples, ou mais propriamente, a Triber Agency, decidiu rebater a ideia publicitária da concorrência, pondo à prova um recurso criativo já antes apresentado na sua rubrica, "Conversas de Secretária", e interagindo com o conceito original e, ao mesmo tempo, com o IKEA, tomando a partir disto o controlo total das rédeas da situação.
E porque não há duas sem três, ou neste caso, sem menos que três, várias outras marcas, tais como a Fnac, a Glovo, e até a Feira de Leiria, seguiram a sua correnteza, através de outras publicações, comentários e flirts!
Eu vi, IKEA. Don't make me talk. Gostas pouco, gostas.
Enfim, todo este fenómeno informativo pode ser encontrado com mais ou menos detalhes através de um post no Marketeer, redigido pelo próprio CEO e co-fundador na Triber Agency, Pedro Girão.
Estou a fazer um esforço danado para não escrever trocadilhos ou intervir com o seu apelido. Ainda sou um blogger de respeito.
Em suma, o marketing de alguém foi à loucura com a conotação política e os adversários responderam, salvaguardando e patenteando a comicidade e o bom humor no mercado. Só que há aqui um pequeno grande pormenor...
Ao que tudo indica, a Comissão Nacional de Eleições provavelmente já tem as caixas de correio a transbordar de tantas queixas recebidas por parte dos cidadãos portugueses.
É o que eu digo: a malta deve adorar sentir, no auge do seus delírios pessoais, que tem algum tipo de modificação genética a uni-los com o seu partido político favorito. É de loucos.
Perante as acusações de "interferência no processo eleitoral" e a defesa da marca sueca, dar-se-á uma reunião já esta terça-feira onde supostamente será avaliada a compatibilização da liberdade de expressão relacionada com a situação atual do país, de forma a decidir qual será o true ending da coisa3.
Ufa, isto foi cá uma correria! Nunca me diverti tanto! Marketing, se for para isto todos os dias, já têm um fã nº1!
Bom, lingos, deste modo me despeço, de coração cheio.
E um car$%&inho na mão, mesmo à madeirense ;)
Boa semana!
Silver


Comentários
Enviar um comentário