Saldos
Ora viva, queridas amizades!
Isto assim vai ficar chato.
Como vai esse dia/tarde/noite? E essas carteiras? Rechonchudas e a transbordar?...
...não, certo? Lógico. Ainda para mais depois do furacão composto chamado "Natal e Ano Novo".
O ano é 2024 e, por mais que achemos o contrário, nada mudou. Nada. NA-DI-NHA. Continuamos a ter que nos levantar a horas responsáveis para obedecer ao horário de expediente, (ou às nossas próprias responsabilidades externas,) as contas virão numa hora ou noutra para serem pagas, os débitos diretos já estão acionados para moerem a cor natural do nosso cabelo e converterem-no à palidez, os putos terão que ir e voltar da escola, "mãe" aqui, "pai" ali...
Veem? Nada mudou. Mas sabem o que é que também não mudou? Os saldos.
Sim, este é o assunto de hoje.
Ora pois bem, àquela correção logística pitosga que invade o after das festividades multinacionais de fim de ano, todos os anos, com o único propósito de despachar as sobras de um investimento obeso, porém, com sentido, dá-se o nome de saldos, sendo também considerada a mãe de variações muito comuns escritas nas vitrines, tais como liquidação total, flash sales, promoções, e por aí fora.
Nesta nova fase, grande parte dos produtos que encontrámos à venda nos dias de ponta a preços regulares, (ou questionáveis, nalguns casos,) sofrem um golpe diagonal de katana, eficaz a ponto de fazer evaporar uma percentagem à escolha do vendedor, deixando-os MAIS BAIXOS E MAIS APETECÍVEIS! SÓ ESTA SEMANA!
Pode parecer que não, até porque 99% das pessoas que está a ler isto não o sabia de todo, mas a parte mais engraçada de estar a abordar este assunto é o facto de ter sido sugerido por alguém numa mensagem de voz, através da seguinte frase:
"Fala dos saldos. É uma coisa que não faz qualquer sentido de existir."
Só que eu, que tenho duas covas ao invés de ouvidos, percebi a pessoa ter dito saltos (altos), o que não foge completamente ao assunto. Nada me tira da cabeça a possibilidade de se terem enaltecido muitas agulhas escabrosas, com paisagens nas traseiras a ir dos tons de neve ao espetro multicolor, a custos tentadores. No entanto, para dar a devida pertinência ao tema, deixo a questão: faz algum sentido os saldos existirem?
À primeira vista, qualquer pergunta que indique um posicionamento contra preços mais baixos parece estúpida, certo? Se até a mim, que muitas vezes me contento com um belo 2 em 1 ou até um par de calças com 30% do valor inicial a menos, me faz confusão pensar sobre isso, imagino para vocês! Mas há que dar o benefício da dúvida a este cálculo. Confiem em mim.
Vamos imaginar que somos donos de uma loja de doces. O nosso fluxo de vendas até nem é mau e tem saída, por todos os motivos que se possam arranjar, desde os geográficos aos estratégicos. Ainda assim, há algo que nos anda a inquietar: a goma X, que de acordo com as nossas pesquisas, fazia-se acompanhar de um crescimento positivo no lucro de vendas, revelou-se um falhanço total, deixando a empresa à mercê de um prejuízo, ainda que não sendo um muito penoso.
Como cabeças do negócio, o que é que nós podemos fazer?
Sugestão nº 1: mandar fora? Nem pensar. Para além de agravar esse mesmo prejuízo, estaríamos a seguir as linhagens do desperdício.
Sugestão nº 2: oferecer de graça aos clientes? Seria bom para despachar a mercadoria, mas a nível de recuperação financeira, a taxa de sucesso totalizaria os 0%.
Sugestão nº 3: fazer descontos percentuais ao preço original da goma X? Sem dúvida. Ao reduzir o valor principal do produto, existirá uma maior probabilidade de o mesmo ser adquirido, tornando-se mais chamativo nas grelhas de vendas e alcançando mais depressa a rutura no stock.
Nota: com este desfecho, dependendo de como as coisas correrem até lá, podemos optar por uma de duas hipóteses: dar rutura permanente do produto no stock ou avaliar um novo custo para a goma X.
Agora fiquei com saudades daquele saco com quase um quilo de gomas que comprei há uns tempos...
Assim como aconteceu neste cenário, poderiam estar em jogo vários outros fatores noutras situações que substituíssem o problema principal e desencadeassem uma onda de saldos, tais como datas de validade próximas de expirar ou um defeito natural no produto que ponha parcialmente em causa a sua qualidade, por exemplo. Tudo o que constitua um problema na venda de algo, excluindo a experiência no atendimento realizado pela loja, põe de imediato em causa o seu custo e, consecutivamente, a imagem da marca que o alberga no inventário, arriscando-a à perda exponencial de uma vasta gama de clientes. E para que isto não aconteça, criaram-se os saldos, na necessidade de salvaguardar discretamente a boa imagem e a ética profissional no mercado.
Em suma, respondendo à pergunta: faz algum sentido os saldos existirem?,
e tentando diluir a possibilidade de ter soado um tanto quando feroz nas minhas palavras anteriores, sem qualquer intenção de o ter feito,
a minha resposta é: sim. É sempre bom podermos dispensar uma quantia mais reduzida de dinheiro em promoções que, aos nossos olhos, nos sejam realmente mais vantajosas e satisfatórias. Ainda assim, dependendo do contexto, da situação e até do desconto em questão, aconselho sempre qualquer cidadão ao procedimento do cálculo dos preços com a aplicação dessas promoções/descontos, à leitura de todas as linhas e entrelinhas de que se faz acompanhar a promoção, à análise do estado dos produtos ou das informações que estão escritas em autocolantes informativos, rótulos, tabelas,... enfim, à avaliação do balanço geral.
Por hoje é tudo.
Boa semana!
Silver


Compreendo a sua maneira de pensar, e é bem entendida. Só que hoje em dia quando vamos aos Saldos, encontramos na maior parte dos casos/ objectos, imensos defeitos. Desde pó imenso em sapatos, como manchas feias nas peças e até partes rotas... Uma coisa é passar para 50% de desconto, por terem que despachar a moda antiga... Outra coisa é porém a 50% objetos com imensos defeitos numa peça só. Mas é verdade, o vendedor faz o melhor que pode para manter a empresa aberta.
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