Depressões nervosas

Boas-vindas, caríssimos lingos, a mais uma Crónica da Coroa!

O tema de hoje é, novamente, um assunto mais sério, que vai de certa forma ao encontro, numa das variantes da sua importância e relevância, de uma das crónicas já lançadas antes aqui no blog: banalização do preconceito. E porquê? Deixo isso para o final.
Antes de partir para o aprofundamento no assunto, dada a sua seriedade, deixo uma pequena nota para todos os que estão a ler a crónica:

Ainda que o projeto envolva uma componente de comédia e entretenimento, também se deve partir do pressuposto que todas as informações apresentadas (, com base nas fontes cuja hiperligação se encontra sempre no final dos posts na palavra "fonte", "fontes" ou de outra forma semelhante,) conferem a introdução de um toque real, isto é, aparte da brincadeira, e objetivo. Este tipo de intervenção permite que, em ideias enunciadas como a de hoje, as crónicas seja publicadas com o respeito devido, atendendo ao facto de que, aqui entre nós: nem toda a gente sabe agir em prol da consideração pelo próximo, uns por desleixo próprio, outros por se encontrarem numa fase de aprendizagem. Com isto pretendo alertar os leitores, lingos ou não, para a presença de mais conteúdo ou seriedade do que o normal neste tipo de situações,

que sou eu basicamente a falar à palhaço como um palhaço,

mas também motivar-vos para a auto disciplina e um aproveitamento positivo do que está escrito. Por mais que não seja útil para vocês hoje, pode ser para alguém, incluindo no futuro.

Bom, voltando a onde estava, hoje venho falar sobre depressões nervosas. O tão famoso diagnóstico que, atualmente, parece alojar-se no vocabulário de toda a gente. Uns falam de depressão aqui, outros ali, uns quantos acolá... Enfim, a depressão está nas bocas do Mundo. E ao mesmo tempo, faz parte da saúde mental

(que ironia)

de cerca de 700 mil portugueses, o que corresponde a aproximadamente 6,54% da população total do país, tendo em conta os dados estatísticos de 2022 do Banco Mundial. Portugal, a nível europeu e geral, é o segundo país com a maior taxa de incidência de doenças psiquiátricas (22,9%), sendo ultrapassado pela Irlanda do Norte por duas décimas (23,1%), o que por si só já é um tanto quanto alarmante. Mas se subirmos a um patamar global, conseguimos ver que isto é apenas a ponta do icebergue.
Focando no contexto de depressões nervosas, é o problema de saúde com a maior predominância na União Europeia. Estima-se que cerca de cinquenta milhões de europeus encontram-se, infelizmente,

(juro que foi por acidente)

debaixo da sua asa, e que, não só se define como a segunda maior causa de incapacidade, como também que à volta de 11% da população irá sofrer de algo no mesmo âmbito ao longo da sua vida inteira!
Ah, e outra: falando em população mundial, querem saber qual é a estimativa do número de portadores de depressão? 300 MILHÕES DE PESSOAS!
OK, chega de estatística (por enquanto, acho eu).

Como puderam ver, apesar de, em caso de diagnóstico positivo, não nos prender à cama, nem acabar com a nossa vontade de viver, ou até mesmo com a nossa disposição para fazer as tarefas que antes fazíamos com alma e desejo... Ah, pois, afinal também nos destrói nisso tudo.
Preciso de continuar a comparar? Acho que não.
Tudo bem, pode não ser um Covid-19, e pode até ser menos letal, porque o Covid varreu uma data de malta pelo planeta inteiro numa só cajadada durante um ou dois anos, mais coisa menos coisa... mas o seu aspeto contagioso, um pormenor ainda em estudo, não deixa de ser no mínimo preocupante, ainda para mais sabendo-se que também mata, diariamente.
E agora, para mandar paredes abaixo,

e aquele grupo de pessoas que tem o hábito estúpido de dizer com toda a convicção que sofre/tem (de) uma depressão (-zinha ou -zona, enfim) sem nunca um profissional lhe ter posto a vista em cima, como se essa mão bem cheia de pessoas fosse uma cidade de prédios Jenga com betão a mais nos blocos e janelas a menos,

deixo-vos abaixo uma lista oficial de sintomas típicos de uma depressão, quando perduram por um período de tempo considerável o suficiente para o diagnóstico(, apesar de se fazer acompanhar por quilos e quilos de relatividade, que SÓ UM PROFISSIONAL PODE DEFINIR):
  • tristeza;
  • diferenças nos padrões de sono e apetite;
  • dificuldades de concentração e a tomar decisões;
  • desespero;
  • desapego à vida;
  • ideias de morte ou pensamentos suicidas;
  • fadiga;
  • desvalorização;
  • sentimentos de inutilidade.
Portanto, ter depressão não é só "estar triste" ou "ser indeciso e desatento". Ter depressão é sinónimo de uma folha em branco, que já foi muito colorida no passado, e onde não há esperança para um futuro com ainda mais tonalidades do que antes. É algo que acaba a longo prazo com as defesas naturais do ser-humano, está ligada à hereditariedade e aos genes, e pode até desencadear doenças como a diabetes, por exemplo.

"Mas... e a depressão, o que é que a pode desencadear na nossa vida?"

Muito simples. A presença de outras doenças no corpo, principalmente as que condicionam vivamente a nossa saúde, e experiências de vida que não nos favoreceram/favoreçam, como ficar desempregado, perder um ente-querido muito próximo ou sofrer de maus-tratos, são exemplos fortíssimos de oportunidades onde a depressão pode assumir o controlo parcial a total da nossa mente e mudar a forma como vemos o mundo ao nosso redor.

"E é uma situação evitável?"

Depende. Não há forma de se evitar a perda dos que mais amamos, mas é possível adotar um estilo de vida saudável, o que pode ajudar na prevenção do seu aparecimento. Contudo, mesmo sendo X a pessoa mais saudável que conheça, pode estar propensa a ganhar depressão com um evento de vida suficientemente traumático ou deteriorante. Ainda que tenha as enzimas nas quantidades e variedade certas, alguns dos seus genes podem, em circunstâncias mais complicadas de se suportar, resistir, - e por sua vez, fortificar os alicerces do corpo, - enquanto outros permitem agravar a taxa de risco de aparecimento. E a lista de todos os acontecimentos na nossa própria linha do tempo é algo que não é possível adquirir a priori, com a antecedência necessária.

"Está bem, acho que já se percebeu. Onde é que isto me é importante/relevante?"

Somos pessoas. Simples. Fazemos parte do que rodeia os outros elementos da sociedade, e vice-versa, que podem vir a sofrer de depressão ou até mesmo já fazer parte do clube. Na mesma medida em que um familiar ou amigo nosso, por qualquer motivo e com/sem finalidade, nos possa traumatizar com práticas de assédio sexual, perseguição ou intimidação constante e abusiva, por exemplo, nós também podemos ser o autor principal (ou secundário) de uma marca permanente na vida de alguém, podendo assim dar espaço para a depressão entrar e revirar tudo ainda mais.

Atualmente, sinto que, por mais que a depressão nervosa seja um quadro clínico cada vez mais estudado e, por sua vez, cada vez mais levado a sério pelo povo, ainda é uma bola de ténis a ser disparada para o lado oposto do campo pelas pessoas que lhe pregam com a raquete. E aqui chegamos à conexão com a crónica mencionada acima: banalização do preconceito.

Se bem se lembram, (para quem a leu, claro,) afirmei a existência de dois tipos de pessoas, passando a citar abaixo:
  1. as que acham que já não podem dizer nada;
  2. as que tentam passar discursos de ódio por debaixo da mesa, sobre a forma de "opiniões".
Destes dois, no contexto da depressão, o tipo que geralmente encontramos nas discussões ou diálogos sobre o assunto é, obviamente, o primeiro.

Dois comentários pessoais a tecer: primeiro, é incrível ter a sensação de que algo nos será útil, principalmente quando esse "algo" está no futuro, e; segundo, seria engraçado, ou no mínimo doente, alguém odiar de morte pessoas que têm depressão. É que se o ódio fosse dirigido à doença e não ao seu portador, até se percebia! Obrigada, boa tarde.

Vamos a um caso especial, fortíssimo e extremamente comum: se já alguma vez abordaram as questões deste diagnóstico com a vossa família, sabem tão bem como eu o desfecho imprevisível, mas semelhante a outros, que a coisa pode ter.
É nesse conjunto de momentos que descobrimos características arcaicas e, em reforço, retrógradas, presentes nos nossos seios.
Familiares.

Apanhei-vos. E nunca me canso de ser imaturo disto.

"E que características são essas?"

Muito bem, vocês é que pediram:
  • desinformação;
  • falta de altruísmo ou empatia;
  • atribuição de juízos de valor acerca de juízos de facto (, ou seja, opiniões sobre coisas que já foram e são confirmadas diariamente por entidades superiores);
  • deduções probabilísticas;
  • diagnósticos "sociais";
  • descredibilização de estudos acerca do conhecimento sobre a doença.
E no final de contas, o que é que acontece? Pessoas com depressão suicidam-se, ou uma boa parte delas decide fazê-lo, mas ninguém percebe o porquê.

E foi isto. Presumo que tenha sido, ou não, demasiado breve, ou que até tenha faltado alguma informação essencial, mas ainda assim considero que falar sobre depressão, sendo eu alguém parcialmente alheio a essa avaliação COMPLETA E FEITA POR PROFISSIONAIS, foi sem dúvida um dos melhores desafios que me puseram à frente, desde que o Crónicas da Coroa foi criado. Um grande obrigado!


Boa semana!

Silver

Comentários

Mensagens populares