O que faz bem v.s. o que sabe bem
"Perdoa-se o mal que faz pelo bem que sabe." Não há melhor forma de se começar esta crónica.
Boas-vindas, caríssimos lingos, a mais uma Crónica da Coroa!
O tema de hoje vai muito provavelmente virar o vosso domingo do avesso, ainda para mais por ser o dia da semana onde se veem mais desleixos na alimentação. E eu entendo: É DOMINGO. DO-MIN-GUH. É evidente que pesa mais na balança a preguiça do que a sensação de produtividade num dia tão sagrado
em tantos sentidos
como este.
Hoje o drama insere-se no formato "expetativa versus realidade", o que neste caso chamar-se-á:
O QUE FAZ BEM V.S. O QUE SABE BEM.
Porque depois da história do IKEA, só estou cá para falar mal. Hipocritamente ;)
Como toda a gente sabe, nem tudo o que metemos na boca nos faz bem.
Mais uma vez, em tantos sentidos.
Muitas vezes, nem precisamos de investir na secção das guloseimas no supermercado para nos arriscarmos a receber em troca uma futura desnutrição ou uma obesidade mórbida, a longo prazo, ambas a serem acusadas por uma base de desconforto emocional e físico chamada "balança". Afinal, uma alimentação saudável é feita de equilíbrio nutricional, ao invés de uma anarquia de enzimas, probióticos e etc..
Neste segmento digno de um ringue situado num universo paralelo,
porque só vai receber alimentos de todos os feitios e tamanhos, em vez de homens e mulheres uns contra os outros, a agarrarem-se e a empurrarem-se nas suas licras e/ou cabedais, com músculos, uns barba, outros pele Dodot, um cheiro a suvac... enfim,
tentarei ao máximo fazer uma comparação justa e coesa entre aquilo que é, de facto, mais saudável, contra algo que, em termos de sabor, consegue vencer à Razão, mesmo sendo elementos componentes das famosas pirâmides e rodas,
e daqui a bocado a Ordem dos Nutricionistas anuncia uma parceira com a Geometria Descritiva inteira,
já presentes na nossa aprendizagem (e na dos miúdos).
Vamos lá? Vamos sim senhor, que os insólitos já estão à porta.
- Ao pequeno-almoço
em que OS CEREAIS ENTRAM PRIMEIRO E SÓ DEPOIS O LEITE,
pelo fornecimento avantajado de fibra.
O que sabe bem? Independentemente de como as coisas possam correr desde o momento em que se sai de casa até que se chega, ingerir algo que dê água na boca só de se pensar serve de aconchego à triste e nada fazível realidade de que, para se ganhar dinheiro, é preciso levantar-se cedo (nalguns casos) e ir trabalhar. Portanto, um belo croissant misto com um galão ou café a levar uma saqueta de açúcar dissolvido com amor (muah),
e se a minha mãe se chibar muito, aciono logo o meu advogado,
ou até uma tigelona de cereais mais doces do que, propriamente, cereais, são sem dúvida exemplos de escolhas habituais com este filtro. No judgements, lingos. Ninguém gosta de segundas-feiras. Ou de acordar cedo, em geral.
- Ao almoço
O que sabe bem?
Ui, isto vai ser bonito.
Como a larica à hora da refeição é grande em quase 100% das vezes, o mais consumido passa por vários setores, e raramente é o dos Nutriventures.
QUEM SE LEMBRA DOS NUTRIVENTURES? Comentem neste post!
Havendo um apego maior às massas do que ao arroz ou batatas, quando estas não são fritas, basta juntar-se lhe uma quantidade infindável de festinhas no paladar que o segredo depois passa por se encher o bandulho, até não haver mais espaço. Molhos, um pouco de sal e óleos naturais a mais, salsichas enlatadas, ovos mexidos, esparguete à Bolonhesa, o belo de um churrasco, ou "pior": ir a um restaurante de fast-food comer aquele frango frito, bem frito e suculento, ou então uma pratada de sushi com chow mein's, carnes, fritos sortidos e m$&#as, ou até uma hambúrguer acabadinha de fazer, carregada de queijo, com batatas fritas a acompanhar, ou uma bruta de uma pizza,
OK, desculpem, até a mim me está a doer, porque já jantei à hora que escrevo isto ;-;
são opções cosmicamente calóricas, mas deliciosas!
Quem não iria adorar uma viagem pelo contínuo espaço-tempo da alimentação? A vossa consciência, depois de descobrir que essa dita viagem ofereceu-vos um bónus para casa, chamado "peso a mais", "acne", "celulite", e por aí fora.
- À hora do lanche
O que sabe bem? A meio da tarde, o padrão é tão visível que é quase como se estivéssemos a presenciar um déjà vu artificial do que foi vivido no início do dia: bolos, açúcares, sandes mistas com manteiga, cereais com leite às porções para cavalo, mais bolos, sortidos então nem se fala, e/ou uma bebida igualmente doce, tipo uma Coca Cola.
Ou uma tosta mista XXL com manteiga e um Ucal fresco. O meu lanche favorito.
- Ao jantar
O que sabe bem? Repetir a mesma palhaçada do almoço, se tiverem aderido ao Circo das Guloseimas e Gostosuras.
Só dá para quem pode, e mesmo assim, quem não poderia também se arrisca a isso.
"Mas olha lá, meu grandessíssimo... enfim, onde é que queres chegar com isto?"
A lado nenhum.
Mas posso chegar, se se chibarem nos comentários sobre as vossas travessuras não nutricionais mais chocantes. O meu metabolismo será, com certeza, resistente a isso tudo, inclusive ao banquete que for inalar a seguir,
mas antes desse um que vá montar depois de publicar esta crónica,
por gula e desgoverno em excesso.
Assim ficamos simpaticamente quase ao mesmo nível ;)
Boa semana!
Silver


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