Transportes públicos
Eu devia levar realmente isto a bom porto e tratar da papelada para a total exclusividade do nome deste projeto.
Pois bem, o assunto de hoje tem a ver com os transportes públicos. Ou seja, veículos que não nos pertencem, mas que alguém decidiu fazer com que tivéssemos essa falsa sensação. É tramado pensar nisto. Mexe com o ego de qualquer um.
É uma dança infinita no Palco das Deslocações, onde nada é teu, mas adivinha: podes utilizar até isso deixar de te ser vantajoso! Para além disso, podes optar por pagar com uma de duas formas: ou tiras bilhete (beijinhos Bernardina) ou preenches uma ficha digna de análise na Máquina da Verdade e, depois de pagares o que te for permitido, com ou sem descontos, tens direito a um Passe Social!
Já parava com as exclamações. Ah que giro, parei! (Epá f-)
É um tema que diz respeito a muita gente, incluindo eu, ainda para mais pela zona onde resido que é absurdamente povoada (, na maior parte das vezes por indivíduos com uma vida aparentemente mais interessante do que a minha, quando na verdade é mais ao contrário,) e movimentada, o que transforma autênticas e úteis maquinas de fiesta em pães-de-forma com 150 pessoas lá dentro.
Por isso é que depois chego a casa a cheirar a tabaco e a suor sem saber o porquê.
Indo agora ao que interessa, para todos aqueles que já se perguntaram quem foi a ave rara que teve a brilhante ideia de criar um veículo tipo "enchimento de chouriços", devo informar-vos em primeiro lugar que é francês. Portanto, tivemos um oiseau rare, ou dito em "portucês" (português + francês), uma avé RáRá, pioneira na construção da ideia do chamado "transporte coletivo", com o apoio do belíssimo Luís XIV (14),
e dos seus saltos de plataforma tipo Lady Gaga.
O famoso Blaise Pascal, matemático e filósofo, cujo apelido veio dar origem futuramente à definição da unidade de medida de pressão e tensão no Sistema Internacional de Unidades, o Pascal "Pa", conseguiu desenvolver o primeiro sistema de carruagens em 1662 (f- you autocarros do Benfica por enquanto), com itinerários, tarifas e horários fixos, em Paris, uma cidade com cerca de 500 mil habitantes na altura, a cobrar cinco sols por viagem a cada um.
Eu estou mesmo a imaginar qualquer pessoa a ler isto e haver pelo menos uma que se pronuncie contra a falta de formalidades e emoção para com a capital de França, a cidade do amor, expressa nesta crónica.
Na instauração da modalidade, foram inauguradas três linhas:
- a primeira, a 18 de março, fazia correspondência entre a Porte Saint Antoine e o Luxemburgo;
- a segunda, a 11 de abril, com circulação entre a Rue de Saint-Antoine e a Rue de Saint-Honoré;
- a terceira, em maio, a ir do bairro de Montmartre ao Luxemburgo.
Quero ver se andamos a apanhar os mesmos transportes.
Em primeiro lugar, no topo da lista, falemos sobre a sobrelotação. Se já há quatro séculos atrás, sete carruagens não eram suficientes e deixavam a população receosa nas paragens sobre a lotação das seguintes, atualmente o medo e a realidade são os mesmos. Sabe-se que, em horas de ponta, várias carreiras e carruagens tendem a ficar completas e quase irrespiráveis pela falta de espaço no seu interior, visto que coincidem em horários onde grande parte dos cidadãos se pretendem deslocar, seja da própria casa para o trabalho e vice versa, entre outros.
Em segundo lugar, um tanto quanto relacionado com o problema de cima, temos os atrasos de circulação.
Quem nunca apanhou um transporte a chegar atrasado à maior parte das paragens/estações, que atire a primeira foto do rio Tejo visto da Ponte 25 de Abril. Com data, hora e tudo!
Apesar de se tratar de um flagelo com provas de existência mais recentes, vários fatores podem contribuir para que um mesmo servente se atrase de dois ou três minutos a meias horas ou horas completas, desde que começa a rota até que termina, tais como o trânsito envolvente e a realização de viagens em série pelo mesmo veículo. Vejamos: conduzo um autocarro que demora trinta minutos a percorrer o trajeto correspondente à carreira X. Sabendo que no serviço faço as duas versões da viagem (ida e volta), se em cada uma me atrasar dez minutos até a hora de ponta acabar, haverá uma boa quantidade de viagens a circular com atrasos nas horas afixadas, tanto nas idas como nas voltas!
Em último lugar, por consequência ou não de algum dos problemas anteriores, todos os que passam por isto também conhecem a história das viagens canceladas. Viagens que, sem motivo aparente, não acontecem. Giro. Mais que giro, super radical.
Depois deste rewind bastante doloroso, certos lingos podem estar a perguntar-se:
"Então mas, sendo assim, propões alguma solução?"
Dada a falta de qualificações na área, prefiro abster-me de fazer qualquer tipo de sugestões, até porque sinto que, a argumentar de currículo vazio, dói a crítica no tanto que poderá doer qualquer sugestão que pareça semelhante a tantas outras já arrancadas de pessoas antes.
Mentira. Apenas sou preguiçoso para o fazer. E agora vou fazer como certos adultos que adoram corrigir por tudo e por nada as palavras dos outros, antes que vocês me apontem o dedo, e dizer: eu não estive a criticar, mas sim a expor uma longa situação que diz respeito a milhares de seres-humanos no Mundo.
No entanto, resta-me energia suficiente para dizer que, para pontos positivos, a inserção de transportes que não libertam gases prejudiciais para o planeta, a aplicação de entradas USB para os utilizadores efetuarem o carregamento dos seus smartphones e powerbanks durante a viagem, o investimento na conectividade com redes Wi-Fi dentro dos autocarros, a implementação de sistemas com o registo das viagens de cada carreira em tempo real, entre outros pequenos pormenores não tão facilmente destacáveis servem... bem, acho eu.
Mas penso que continua a faltar qualquer coisa.
Boa semana!
Silver


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