Sopas familiares

Boas-vindas, caríssimos lingos, a mais uma Crónica da Coroa!

O tema de hoje são as famílias. Sim, FAMÍLIAS. Plural.
Não vou dar foco a um tipo específico, até porque se o fosse fazer, para além de injusto, seria a mesma coisa que servir um pão à metade, sendo que foi adquirido por inteiro.

Todos nós gostamos de quando a coisa vem completa. Principalmente no Natal, que na maior parte das vezes a carteira vem mais cheia.

Antes de introduzirmos ao ponto, já que estamos a falar de grupos relativamente numerosos e com malta de todas as idades, deixo a pergunta: o melhor do mundo ainda são as crianças?
E já que a intenção não é assim tão linear, peço muito gentilmente a todas as pessoas, lingos ou não, que me deem uma resposta a esta pergunta na caixa de comentários abaixo, para eu ver a palhaçada que isto vai dar. E porquê? Porque há um bónus: quem responder que "sim", terá que complementar a afirmação com uma razão original que me leve a achar o contrário.
Deixo aqui um exemplo:

Silver
O melhor do mundo ainda são as crianças, ou Sim, mesmo quando os apanhamos a comer macacos do nariz no meio do sofá.

Tenho quase a certeza que, havendo uma boa quantidade de malta a responder a isto, terei entretenimento gratuito durante duas semanas, só de ler as barbaridades que me aparecerem à frente.

Se bem que o meu exemplo, para além de bárbaro, foi nojento.

Mas bem, 'bora lá continuar a crónica se faz favor?

Como eu ia a dizer, numerosas ou não, as famílias são a última esperança de todos os cidadãos, capazes de combater assiduamente o lado antissocial de cada um. É através da união consanguínea em alturas do dia fundamentais à Civilização, como ao almoço, jantar, etc., que boa parte das nossas características cognitivas, como a comunicação, têm a saúde no devido lugar.
Porém, contudo, entretanto, todavia... há fofocas que sabem bem de se presenciar, certo?
Vá, deixem-se de tretas. Todos nós sabemos que, assim que o caldo entorna, há casos em que até ficamos de olho naqueles indivíduos que têm o hábito de espontaneamente irem separar os membros da discussão, só para os irmos segurar!
Sempre ouvi dizer "nem muito ao mar, nem muito à terra", portanto, nem se para o filme no início, mas também não precisamos de ver os créditos. Tudo no tempo certo.

Ainda assim, escusado será dizer que nem todos os seios familiares são conflituosos. Existem casos onde tudo o que é um problema tem de imediato solução e receita médica, se for preciso.

"Então, porque é que existem grandes discussões em certas famílias?"

Boa pergunta.
Há três gatilhos motivadores de uma boa lareira acesa, sendo mais comum de pegar fogo só com uma faísca relações entre irmãos, cunhados, primos ou sogros e genros/noras.
O primeiro é o tipo de relação entre as pessoas envolvidas. Quanto mais proximidade ou afinidade, mais ao extremo vão os frutos dessa ligação. Não há um copo meio cheio aqui porque a entrega é grande demais: ou é ou não é.
O segundo é o(s) acontecimento(s) antecedente(s) ou a decorrer. Dependendo das pendências a resolver e adicionando o primeiro gatilho à equação, os desfechos acabam por ser muito diferentes, e ao mesmo tempo, muito interessantes.
O terceiro é o tema. E aqui as coisas sobem de patamar...
Quantas vezes já aconteceu duas pessoas discutirem por causa de opiniões opostas num assunto levado demasiado a sério? Ou por causa de argumentações extensas até dizer chega? Várias, eu sei.
Vamos aos assuntos mais escolhidos? Vamos!

Yay, que feliz que estou por me ver a ter flashbacks às custas desta crónica :')

Tema nº1: Política

Este não escapa de forma alguma, principalmente quando se sabe que a mesma família é constituída por alguns elementos de extrema esquerda e outros de extrema direita. Aí vai-se ao delírio com tanto neurónio a falecer ao mesmo tempo.

Tema nº2: Futebol

Quando o chavascal que se instalou na sala de jantar há cinco minutos se relaciona ao facto de o Boavista ter feito falta aos 23 minutos quando um dos jogadores pisou o dedão do pé direito do guarda-redes do Benfica, sendo que o VAR demonstrou que o que estava a ser pisada era a pontinha da chuteira e mesmo assim se concluir que "é roubado", podem ter a certeza que é de futebol que selvagens comentam com garra, ocasionalmente.

Tema nº3: As crianças

"Ai mas ela 'tá muito magrinha. Tem o metabolismo do pai que quase não a vê."
"Pois, se ele lavasse mais vezes os dentes, não tinha tantas balizas na boca."
"Não me admira que esteja carregada de piolhos. Deixas a miúda conviver com qualquer criança!"
"O meu filho? É o melhor da turma a soletrar! Espera aí... Oh Júlio, como é que se soletra a palavra «espírito»?-
*Júlio engana-se no processo todo*
-Acontece aos melhores."
"Ah coisa boa da tia! E este cabelo...-
*cabelo está oleoso ou por se pentear*
-...tem um aspeto único, vida própria!"

Sim, tias. Vocês fazem-no. Uma boa parte de vós, pelo menos. A toda a hora.

"Tomar conta dos filhos que talvez não tenha? Não, vou falar e cuidar dos das outras!"

Não me f- a cabeça. É só assumir.

Enfim, podia soltar vários aqui por escrito, mas acho que isso iria dizer mais da minha vida do que da vossa, portanto deixem estar :')
Para finalizar, sem vos deixar onde cair em condições, sinto que é importante reforçar, no meio de tanta trovoada e neblina, uma verdade inerente a qualquer pessoa: por mais defeitos que os vossos familiares tenham, não deixarão de ser as primeiras pessoas (, e únicas, por vezes,) com quem poderão contar quando mais precisarem ou se se virem aflitos.
Cuidem dos vossos laços de sangue.


Boa semana!

Silver

Comentários

  1. Sabes quando precisas de ler algo sério num tom de Castigat ridendo mores? Esse é o lado bom de quando se cria temas para debater. Muitas pessoas ficam presas na seriedade e é bom quando se debate com um pouco de humor. Porquê? Rir é o melhor remédio, rir da desgraça é a única alternativa quando vivemos num mundo onde os jornais se alimentam da tempestade para lucrar. Nada se pode fazer, só rir.
    E a crónica serve para isso. Se chegasse aqui e lesse algo do género: tau tau tau! Ia ser aborrecido. Mas chegar e ler os dramas de família a qual só muda a porta da casa, porque o resto é tudo igual, dá conforto. Ter humor, conforta.
    Essa é a melhor parte de se saber escrever: debater e fazer rir.
    Excelente trabalho!

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